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Perdas

Perdas. Aí está uma palavra que todos nós gostaríamos de evitar. Ano passado, eu e minha esposa perdemos algo que era valioso para nós. Fizemos uma viagem de carro de Campinas/SP até Natal/RN, após viajar, também de carro, até Foz do Iguaçu/PR. Imagine a aventura. Foi uma viagem inesquecível. Conhecemos inúmeros lugares, dezenas de praias e cidades, além das diversas atrações. O resultado final da viagem, depois de 30 dias nas estradas do Brasil, foi o descanso que precisávamos e mais de 1700 fotos de paisagens incríveis que conhecemos e contemplamos.

Mas onde está a perda? Ela veio semanas depois. Numa questão de dias, meu laptop pifou e o pendrive, no qual tinha backup das fotos, simplesmente desapareceu. Perdemos todas as fotos das férias que foram mais significativas em nossa vida como casal. Tínhamos registrado dias incríveis e lugares paradisíacos. Agora, resta-nos as memórias do que vivemos e vimos naquele mês. Memórias que parecem cada vez mais distantes. Memórias que parecem se apagar a cada dia, caindo no esquecimento. Ainda estou tentando recuperar o hd do laptop, sem sucesso até aqui, e confesso que as esperanças parecem cada vez menores.

Isso pode não ter significado algum para você. Aliás, muitas das perdas que passamos são assim: grande significado para nós, mas de pouca relevância para os outros. Perdas geralmente são inesperadas. Repentinas. Elas nos pegam de surpresa. Não são planejadas. Não estão em nossa agenda. Algumas delas são importantes; outras, indiferentes. Mas certamente nos acompanham ao longo da vida. Perdemos coisas. Perdemos bens. Perdemos tempo. Com os anos, perdemos saúde. Perdemos oportunidades. Perdemos pessoas.

Recentemente, esta última perda tem marcado nossa comunidade: pessoas. Pessoas queridas. Pessoas especiais. Pessoas que nos ensinaram. Pessoas que deixaram saudades. Pessoas que ainda falam em nossos corações. E, quando elas se vão, parecem que parte de nós também se foi. Algumas eu conheci mais de perto; outras, nem tanto. Uma dessas perdas recentes foi a Isis. Não a conheci muito. Mas, do pouco que conheci, cresci. Conheci Isis através dos seus filhos. Conheci Isis através do testemunho de seu marido. Uma esposa que deixou um marido grato e feliz por cada momento vivido juntos. Uma mãe que deixou todos os filhos dedicados a Deus e compromissados com o evangelho. Uma serva de Deus que combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé. O seu ofício fúnebre foi um dos mais marcantes para mim até hoje. Por quê? Porque me ensinou sobre o que é mais importante. Sobre o lugar de Deus. Sobre o valor da família. Sobre a perspectiva eterna da vida. Sobre o que é viver para glória do Senhor. E para você? Quais são as perdas que alcançam sua vida atualmente?

Se há algo na vida que temos que lidar, querendo ou não, é a realidade das perdas. Se você pegar uma foto com todas pessoas de sua casa, você chegará a uma constatação. Alguém nessa foto verá todos os demais o deixando para trás. A perda é parte da vida. E o que fará diferença não será quando ou quais serão as perdas, mas como passaremos por elas. Perdas revelam nossos medos. Perdas apontam nossas limitações. Perdas trazem à luz o que está em nosso coração.

Gosto de uma frase que tem me ajudado em minha jornada de vida. É a frase de Jim Elliot, um missionário que morreu tentando levar a mensagem do amor de Jesus Cristo. Ele disse: “Não é tolo aquele que dá o que não pode manter, para ganhar o que não pode perder”. Não é tolo aquele que dá o que não pode manter: a própria vida. Para ganhar o que não pode perder: a vida eterna.

Quando perdemos nossa vida, nós a ganhamos. Quando nos damos pelos outros, somos presenteados. O século XXI tem tirado isso de nós. Proclama o individualismo como algo maior que o comunitário. Fala do prazer a qualquer custo vindo à frente do preço de considerar o outro. Valoriza a conquista pessoal como algo maior que o possível mal gerado ao que estão ao redor de nós. Minha pergunta é se realmente acreditamos que esse caminho nos levará a algum lugar digno de se viver no futuro. Ou melhor, no presente.

A forma como lidamos com a perda manifesta as bases de nossa vida. E o desafio é aprender a lidar com as perdas a partir da perspectiva correta. Como? Olhando para alguém que deixou o exemplo. Alguém que anteviu para onde iríamos. Alguém que viu o que perderíamos. Alguém que nos amou. Alguém que nos presenteou. Ele perdeu sua vida, para que ganhássemos a nossa. Foi desfeito por nós para que o mundo pudesse ser refeito por ele. Entrou no mais profundo vale sombrio, a fim de que nós pudéssemos desfrutar de sua luz resplandecente. Assumiu o preço de uma dívida impagável que lhe custou tudo, a fim de que nós recebêssemos um presente inagualável pelo qual nada nos é exigido. Quem foi essa pessoa? Jesus. Ele sabe tudo sobre perder.

Paulo entendeu essa mensagem. Paulo viveu essa mensagem. Ele mesmo disse isso quando estava na prisão, em meio às suas perdas: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1.21). Pensando assim, não poderia perder nada do que lhe era essencial. De um lado ou de outro, conheceria agora apenas o que era ganhar mesmo quando envolvido por perdas.

As perdas nos acompanham. E a escolha é nossa de como lidaremos com elas. Que a nossa decisão possa ser pelo caminho da sabedoria, considerando nossa jornada e vendo o Deus que sabe tudo sobre perda e que está ao nosso lado. Você não está sozinho nessa. Aprenda a perder para que você possa ganhar o que é o mais importante.

“Quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma?”
Marcos 8.35-36

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