"Corremos o risco de passar
pela vida sem viver nossa vida."
(Daniel Faria Jr)
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Toda história tem um início
Não despreze pequenos começos.
Você nunca sabe onde eles poderão levar você.
Segue um vídeo do Hugh Laurie, protagonista da série "House".
Pra mim, esse vídeo, além de engraçado, ilustra isso...
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Saindo do silêncio

Boa noite, galera. Na postagem anterior, falei sobre a opção do silêncio. Porém, em muitas situações, o silêncio não pode ser a opção. A paquistanesa Asia Bibi foi condenada à morte num contexto absurdo de leis que ainda existem em nosso mundo.
O processo de Asia começou em junho de 2009, quando ela foi buscar água enquanto trabalhava no campo. Um grupo de camponesas muçulmanas, no entanto, protestou, afirmando que uma mulher não muçulmana não deveria tocar o jarro d'água do qual elas também beberiam. Você pode ver o artigo completo aqui.
O processo de Asia começou em junho de 2009, quando ela foi buscar água enquanto trabalhava no campo. Um grupo de camponesas muçulmanas, no entanto, protestou, afirmando que uma mulher não muçulmana não deveria tocar o jarro d'água do qual elas também beberiam. Você pode ver o artigo completo aqui.
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Perdas
Perdas. Aí está uma palavra que todos nós gostaríamos de evitar. Ano passado, eu e minha esposa perdemos algo que era valioso para nós. Fizemos uma viagem de carro de Campinas/SP até Natal/RN, após viajar, também de carro, até Foz do Iguaçu/PR. Imagine a aventura. Foi uma viagem inesquecível. Conhecemos inúmeros lugares, dezenas de praias e cidades, além das diversas atrações. O resultado final da viagem, depois de 30 dias nas estradas do Brasil, foi o descanso que precisávamos e mais de 1700 fotos de paisagens incríveis que conhecemos e contemplamos.
Mas onde está a perda? Ela veio semanas depois. Numa questão de dias, meu laptop pifou e o pendrive, no qual tinha backup das fotos, simplesmente desapareceu. Perdemos todas as fotos das férias que foram mais significativas em nossa vida como casal. Tínhamos registrado dias incríveis e lugares paradisíacos. Agora, resta-nos as memórias do que vivemos e vimos naquele mês. Memórias que parecem cada vez mais distantes. Memórias que parecem se apagar a cada dia, caindo no esquecimento. Ainda estou tentando recuperar o hd do laptop, sem sucesso até aqui, e confesso que as esperanças parecem cada vez menores. Isso pode não ter significado algum para você. Aliás, muitas das perdas que passamos são assim: grande significado para nós, mas de pouca relevância para os outros. Perdas geralmente são inesperadas. Repentinas. Elas nos pegam de surpresa. Não são planejadas. Não estão em nossa agenda. Algumas delas são importantes; outras, indiferentes. Mas certamente nos acompanham ao longo da vida. Perdemos coisas. Perdemos bens. Perdemos tempo. Com os anos, perdemos saúde. Perdemos oportunidades. Perdemos pessoas.
Recentemente, esta última perda tem marcado nossa comunidade: pessoas. Pessoas queridas. Pessoas especiais. Pessoas que nos ensinaram. Pessoas que deixaram saudades. Pessoas que ainda falam em nossos corações. E, quando elas se vão, parecem que parte de nós também se foi. Algumas eu conheci mais de perto; outras, nem tanto. Uma dessas perdas recentes foi a Isis. Não a conheci muito. Mas, do pouco que conheci, cresci. Conheci Isis através dos seus filhos. Conheci Isis através do testemunho de seu marido. Uma esposa que deixou um marido grato e feliz por cada momento vivido juntos. Uma mãe que deixou todos os filhos dedicados a Deus e compromissados com o evangelho. Uma serva de Deus que combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé. O seu ofício fúnebre foi um dos mais marcantes para mim até hoje. Por quê? Porque me ensinou sobre o que é mais importante. Sobre o lugar de Deus. Sobre o valor da família. Sobre a perspectiva eterna da vida. Sobre o que é viver para glória do Senhor. E para você? Quais são as perdas que alcançam sua vida atualmente?
Se há algo na vida que temos que lidar, querendo ou não, é a realidade das perdas. Se você pegar uma foto com todas pessoas de sua casa, você chegará a uma constatação. Alguém nessa foto verá todos os demais o deixando para trás. A perda é parte da vida. E o que fará diferença não será quando ou quais serão as perdas, mas como passaremos por elas. Perdas revelam nossos medos. Perdas apontam nossas limitações. Perdas trazem à luz o que está em nosso coração.
Gosto de uma frase que tem me ajudado em minha jornada de vida. É a frase de Jim Elliot, um missionário que morreu tentando levar a mensagem do amor de Jesus Cristo. Ele disse: “Não é tolo aquele que dá o que não pode manter, para ganhar o que não pode perder”. Não é tolo aquele que dá o que não pode manter: a própria vida. Para ganhar o que não pode perder: a vida eterna.
Quando perdemos nossa vida, nós a ganhamos. Quando nos damos pelos outros, somos presenteados. O século XXI tem tirado isso de nós. Proclama o individualismo como algo maior que o comunitário. Fala do prazer a qualquer custo vindo à frente do preço de considerar o outro. Valoriza a conquista pessoal como algo maior que o possível mal gerado ao que estão ao redor de nós. Minha pergunta é se realmente acreditamos que esse caminho nos levará a algum lugar digno de se viver no futuro. Ou melhor, no presente.
A forma como lidamos com a perda manifesta as bases de nossa vida. E o desafio é aprender a lidar com as perdas a partir da perspectiva correta. Como? Olhando para alguém que deixou o exemplo. Alguém que anteviu para onde iríamos. Alguém que viu o que perderíamos. Alguém que nos amou. Alguém que nos presenteou. Ele perdeu sua vida, para que ganhássemos a nossa. Foi desfeito por nós para que o mundo pudesse ser refeito por ele. Entrou no mais profundo vale sombrio, a fim de que nós pudéssemos desfrutar de sua luz resplandecente. Assumiu o preço de uma dívida impagável que lhe custou tudo, a fim de que nós recebêssemos um presente inagualável pelo qual nada nos é exigido. Quem foi essa pessoa? Jesus. Ele sabe tudo sobre perder.
Paulo entendeu essa mensagem. Paulo viveu essa mensagem. Ele mesmo disse isso quando estava na prisão, em meio às suas perdas: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1.21). Pensando assim, não poderia perder nada do que lhe era essencial. De um lado ou de outro, conheceria agora apenas o que era ganhar mesmo quando envolvido por perdas.
As perdas nos acompanham. E a escolha é nossa de como lidaremos com elas. Que a nossa decisão possa ser pelo caminho da sabedoria, considerando nossa jornada e vendo o Deus que sabe tudo sobre perda e que está ao nosso lado. Você não está sozinho nessa. Aprenda a perder para que você possa ganhar o que é o mais importante.
“Quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma?”
Marcos 8.35-36
John M. Sydenstricker Jr.
Uma vida, uma história, muitas lições...
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”
2 Timóteo 4.7-8
“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”
2 Timóteo 4.7-8
Palavras geralmente são complicadas, pois, ao mesmo tempo em que descrevem, também limitam. Descrevem o que há dentro de nós, mas limitam a extensão de seu significado. Descrevem memórias, mas limitam seu impacto em nossas vidas. Descrevem lembranças, mas limitam o quão importantes são. John foi uma dessas pessoas em que as palavras podem descrever lembranças da convivência com ele, mas que limitam o profundo significado que tiveram. Se você conheceu John, você conheceu um homem de Deus. E, ao conviver com ele nos poucos anos que tivemos juntos, algumas palavras características de sua vida marcaram e continuam a marcar minha vida.
A primeira delas é simplicidade. Em tudo o que fazia, parecia ter um modo simples de encarar o que lhe cercava. Falava o necessário. As palavras que saíam de sua boca pareciam ter um significado especial. Lembro-me de um encontro comunitário que tivemos em que ele fez uma simples oração, mas que conhecendo sua dor e sofrimento ao lidar com o câncer, sabíamos o quanto significava: “Deus, obrigado por mais um dia de vida”. Poucas palavras, mas tão intensas. Tão profundas. Tão vivas.
Ligada a esta palavra, outra o acompanhava: humildade. John sabia que era falho. Sabia que era pequeno. E cada vez que falava e apontava isso, em meu coração ele se tornava maior. Por quê? Porque dependia de Deus. Não queria glória, mérito, honra, reconhecimento ou status. Tudo aquilo que o mundo busca parecia não importar para John. A consciência de quem era e do quanto precisava de Deus o fazia ainda mais especial e singular. Pouco antes de morrer, resistiu até onde pôde para receber o titulo de presbítero emérito. Ele não se importava com títulos. Ou melhor, parecia querer distância deles. E isso porque queria o que o céu lhe reservava e não o que mundo lhe oferecia.
A terceira palavra é acolhimento. No que podia, era atencioso e receptivo. Foi a primeira pessoa que me recebeu antes de chegar à comunidade em Barão Geraldo. Juntamente com sua esposa Renée, foi a primeira pessoa que acolheu minha esposa e eu em sua casa. Caminhava conosco. Mandava emails. Ligava. Preocupava-se. Em suas críticas e sugestões, fazia com grande amor. Recordo-me dos diversos almoços em que fazia questão de pagar e não permitia de jeito nenhum que eu tomasse qualquer iniciativa. E ficava bravo se eu o fazia. Se você o conheceu, sabe do que estou falando. Queria visitar pessoas, mesmo sendo ele alguém que precisava de visita. Se havia doentes, queria estar com eles, mesmo quando seu quadro era pior que muitos destes que visitava.
E isso me leva a mais uma palavra: vitalidade. John era mais vivo do que muitos de nós que temos mais saúde. Fazia muito mais para obra de Deus do que muitos que estão sãos fisicamente. Eu olhava para John e a palavra energia me vinha a mente. Ele me motivava a dar mais de minha vida para Deus. E ainda me motiva. Lembro-me de certa vez em que combinávamos de ir ao Centro Médico visitar um grande amigo seu, doente, e ele tentou até onde pôde estar presente lá, mas a sua saúde não o permitiu naquele sábado. Procurou superar seus limites, ajudando pessoas. Dedicou-se em prol de outras vidas.
Dentro disso, uma última palavra o acompanhava: missão. Parecia que em toda conversa que tínhamos, John estava voltado para alcançar pessoas. Preocupava-se com as almas perdidas. Ansiava por pessoas afastadas de Deus retornando para a comunidade cristã. Pensava em projetos para fazer isso. Quando partilhei com ele um dos meus sonhos, na mesma semana ele me ligou após verificar alguns passos sobre como seria possível concretizá-lo. Se era algo que envolvia almas perdidas, queria ajudar como podia.
Uma vida, uma história, muitas lições. Muitas palavras de grande valor que marcaram sua vida. E a de todos aqueles que conviveram com ele. Talvez você tenha outras palavras a acrescentar. Para mim, foram apenas três anos e alguns meses. Mas John me marcou mais do que muitas pessoas que convivi muito mais tempo. Talvez o mesmo tenha acontecido com você. Um exemplo numa geração egoísta e sem compromisso sério com Deus. Certamente, deixará saudades.
Que as lições vistas em John possam ser levadas por cada um de nós. Enquanto eles estiverem vivas em nossa mente e coração, sua vida continuará viva dentro de nós e honraremos o que ele nos ensinou, dando toda glória ao nosso Senhor Jesus Cristo por isso. Agora, ele está junto do Pai. Sem câncer. Sem dor. Sem sofrimento. Na glória do Todo-Poderoso. Não é o fim. Apenas o começo...
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