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Entre o Coelho e a Cruz

A Páscoa pode ser muitas coisas em nossas vidas. Mais um feriado prolongado. Tempo para descansar. Tempo de chocolates. Entre coelhos e consumos, os dias da páscoa passam e nos esquecemos do principal a respeito da Páscoa: a Cruz.

A cruz de Jesus Cristo. Cruz que fala sobre amor, doação e entrega. Cruz que precedeu a morte. Cruz que antecedeu a ressurreição. Não foram meramente fatos. Antes, foram eventos que transformaram a história da humanidade. E pode transformar também a sua. Hoje.

A Páscoa pode ser algo mais em sua vida. Já faz alguns dias que ela passou. Mas ainda pode lhe levar aos pés da cruz. Você ainda pode ir até Jesus. Ainda que não entenda seu amor e nem mesmo o que ele fez, meu convite é a que você se aproxime dEle. Ouça-o. Ele está com você.

Sua vida pode ser mais. Mais profunda. Mais significativa. Deus pode transformar o que você está passando. Ele pode ajudá-lo a encontrar paz em meio ao caos. Pode restaurar seus relacionamentos, curar suas emoções, dar razão para sua existência.

Não desista. Enxergue além das circunstâncias. Você não está sozinho.
Esqueça o coelho. Lembre-se da cruz.

Êxodo: uma jornada marcada pelo poder

PARTE I: ÊXODO 1 - 18
Uma reflexão sobre dependência

Sim, é verdade. O improvável aconteceu. Talvez o mais preciso fosse dizer o impossível. Não havia como evitar. Não tinha outra opção. Não havia saída. Mas ainda assim...

Um povo egípcio poderoso. Um povo hebraico numeroso. Uma ameaça ao reino. A ordem foi estabelecida: se nascer uma criança e for menino hebreu, deve morrer! Meninas estão livres. Se você é mãe, deve imaginar a dor. Imagine a expectativa no nascimento por saber o sexo. Um ultrassom anteciparia a novidade. Talvez ajudasse a planejar a fuga da criança. Mas não foi assim. Meninos sem esperança. Meninos que mal viram a luz e se dirigiam à morte. As parteiras tentaram obedecer a ordem, porém, não conseguiram. Inventaram uma desculpa. Era muita crueldade. E os meninos foram salvos. Pelo menos por enquanto.

Não durou muito e uma nova ordem surge: que os meninos que nascerem sejam jogados no rio Nilo! Qual destino seria pior: ver o filho morrer num ato desumano ou vê-lo sofrer num rio antes de perecer? Qual você escolheria? O coração apertou, mas foi assim para todos. Ou deveríamos dizer, quase todos.

Um bebê hebreu teve um caminho, no mínimo, interessante. Depois de três meses de vida, seu destino também foi o Nilo. A morte era só questão de tempo. Porém, de alguma forma, o inesperado ocorreu: o pequeno hebreu navegou pelo rio. Balançou, mas não caiu. Antes, chegou aos pés de uma princesa. Ela o olhou. E o amou. E o salvou. Deu para uma hebréia cuidar dele até seu crescimento. E adivinha quem foi a responsável pela criação do menino? A própria mãe do bebê! Sim, a própria mãe cuidou de seu filho e o acompanhou durante a infância. E mais: ganhou um salário para isso. Deus, às vezes, parece cômico.
Você já se sentiu assim? Tudo parecia contrário. O caos estava à sua volta. Alcançou sua casa. Tirou sua esperança, Sugou suas energias. Limitou as possibilidades. Retirou suas forças. O sofrimento o cercou. Você se sentiu sufocado. Mas, no meio da tempestade, Deus fez algo extraordinário. E ainda faz.

Você olha para a história do pequeno bebê e pensa que a história acabou. Mas ela mal começou. O pequeno menino tornou-se homem. Adquiriu educação dupla: hebraica e egípcia. Tornou-se um jovem promissor. Carreira garantida. Futuro de sucesso. Até que tudo mudou subitamente. Sua história, mais uma vez, tomou novo rumo. De bebê sem futuro a jovem rico que agora se transforma em assassino ao proteger seu próprio povo. Foge. E sua vida no deserto apenas se inicia.

No deserto, peregrinou. Sofreu. Casou. E o tempo passou. Quando menos esperava, encontrou-se com Deus. Foi numa sarça. Uma planta que pegava fogo, mas não se consumia. Eu sei, eu sei. Pouco provável. Menos provável ainda era essa planta falar e esse Moisés - assassino, limitado, pobre e sem eloqüência – retornar ao Egito e livrar um povo escravizado por quatrocentos e trinta anos por um grande império. Passados alguns pequenos detalhes, Moisés tornou-se este homem: libertador e guia de milhares pelo deserto. E, mais uma vez, o improvável aconteceu. A comicidade de Deus parece não ter fim.

Mas voltemos aos pequenos detalhes. Quais são eles na história? Dez pragas, um mar e alimento no meio do nada. As dez pragas alcançaram um poderoso povo com deuses. Em cada praga, um deus vencido. E, na última delas, a expressão máxima de um deus específico: o próprio homem. Deus mostra que é maior do que os deuses. Deus mostra que é maior do que os homens. Se não é o bastante, pulemos algum tempo para o futuro e olhemos para o mar. Ali, de um lado, o mar; do outro, o exército mais poderoso da época; no meio, um povo sem saída. Qual seria sua reação? Você acreditaria naquele Deus que livrou do Egito? O fim da história você sabe. Povo salvo e exército engolido pelo mar. Deus é maior do que mares. Deus é maior do que exércitos. Mas ainda tem mais: o que comer e beber no deserto? Mas nada que Deus não possa resolver. Ele provê pequenas aves, pães e água, os quais sustentaram todos no deserto. Nas três situações, uma mesma realidade: provisão. Provisão que liberta, provisão que julga, provisão que sustenta, provisão que manifesta seu poder.

Diante de tudo isso, pense um pouco e escolha o ato é mais absurdo: um bebê salvo em um grande rio e cuidado pela própria mãe que ganha um salário da princesa? Um jovem com carreira promissora e futuro garantido que perde tudo ao se tornar assassino e recomeça no deserto? Talvez a conversa com uma planta que não se queima que lhe concede uma missão para a vida? Ou ainda o fato de um homem de péssima oratória negociar com o homem mais poderoso da terra o término de uma escravidão de séculos? Você pode ainda escolher um povo que derrota o exército mais poderoso da época diante de um mar, sem nada fazer a não ser reclamar? E o que falar da comida e água no meio do deserto?

A mensagem é clara: Deus é Deus. Seu poder é sem igual. Mesmo que não tenhamos as respostas, Ele tem. Mesmo que não saibamos o que fazer, Ele sabe. É o GRANDE EU SOU, maior que tudo e todos. É o Superlativo de toda grandeza. É a Excelência de toda obra. É Imutável em sua natureza. É Incomparável em sua majestade. É Indescritível em seus feitos. É a Suprema Sabedoria que transcende o conhecimento humano. Ele é o Rei dos reis. Não existe nada pequeno demais que fuja do seu alcance. Não há nada grande demais que supere seu poder. Ele é o Todo-Poderoso, o Princípio e o Fim, a razão de tudo que há.

Eu sei: muitas coisas não fazem sentido. E poderia fazer sentido à mente humana finita a realidade do Deus Infinito? Talvez, no caso dessa história, nada parece ter sentido. E é aí que vemos a diferença entre o homem e Deus, entre conhecimento humano e a Sabedoria de Deus. Vai além de nós. Muito além.

Em meio a tudo isso, aprenda a lição: não seja independente. Dependa d’Ele. Ele tem o caminho. Ele tem as respostas. Você não precisa resolver tudo sozinho. Renda-se à vontade d’Ele, seja ela qual for. Seja envolvido pelo seu poder. Seja renovado pela esperança em meio ao caos. Seja guiado pelo Deus que não nos desampara em meio ao deserto. Aprenda a depender.

Gênesis: chamados para obedecer

PARTE II: GÊNESIS 12 – 50
No que depender de Deus, Ele se aproxima de nós
Deus se aproximou de nós... Um homem chamado. Uma família escolhida. Um novo começo. A promessa de benção. Benção pessoal. Benção territorial. Benção espiritual. Benção entre as nações. Uma família que se transformaria em um povo. Um povo que atrairia povos. Uma nação que impactaria nações.

Uma aliança feita. Um nascimento improvável. Um pai ancião. Uma mãe idosa. Um sacrifício exigido. Um pai testado. Um filho poupado. Uma aliança confirmada.

Um filho separado. Um casamento consagrado. O nascimento de gêmeos. Irmãos em conflito. Irmãos divididos. Um irmão abençoado. O outro, enfurecido. A fuga. O tempo que se passa.

Um irmão que se torna um trabalhador. Um trabalhador que anseia pelo amor. Sete anos de trabalho. A esposa que não queria. Um trabalhador que anseia pelo amor. Mais sete anos de trabalho. A esposa que amava. Um trabalhador que se torna pai de muitos filhos. O retorno para casa. A luta com Deus. O reencontro com o irmão. A reconciliação.

Doze filhos que crescem. Um sonho. A inveja que floresce. Uma trama. Um irmão vendido. Um deserto. A solidão de um irmão rejeitado. A oportunidade de trabalhar. O sucesso profissional. Um adultério possível. Uma recusa inesperada. Um administrador injustiçado. Uma prisão indevida.

Sonhos interpretados. Um chefe de copeiros restaurado ao seu posto. Um chefe de padeiros enforcado. O silêncio na escuridão da prisão. Dois anos se passam. Um faraó aflito. Sonhos enigmáticos. A lembrança de um intérprete. Sonhos decifrados. Conselhos sábios. Reconhecimento obtido. Um estrangeiro no palácio. Um prisioneiro governante.

Sete anos de fartura. Sete anos de fome. A busca por alimento. Uma família suprida. Irmãos testados. Irmãos perdoados. Uma família reunida. Uma família que se transforma em um povo.

De um pai fiel a um bisneto obediente. De uma aliança feita a uma aliança vista. De um casal de idosos sem filhos a uma família numerosa e promissora.

Os nomes não importam e sim a mensagem. A mensagem do Deus que se aproximou de nós. A mensagem que prova nossa fé, conduz nossa vida em uma jornada, guia nossa família em meio aos desafios, fortalece nosso caminho nos desertos e nos chama à obediência em cada passo. Deus escolheu. Deus guiou. Deus chamou. Ele faz o mesmo hoje. Em meio ao caos, Ele nos escolheu. Em meio aos desafios, Ele nos chama. Em meio às crises, Ele nos guia. Ele está aqui. Ele está conosco. Ele está com você. Somos chamados para seguir. Somos chamados para obedecer.

E aí, topa?

Gênesis: o início de uma longa história

PARTE I: GÊNESIS 1 – 11
No que depender de nós, nos afastamos de Deus

Das trevas, a luz. Do Criador, a criação. Um homem. Uma mulher. Um jardim. Um chamado. Um chamado para crescer. Um chamado para multiplicar. Um chamado para governar. Um chamado para obedecer.

Ele nos deu o paraíso, mas não foi suficiente. Ele nos deu o perfeito, mas queríamos mais. Uma mulher enganada. Um homem seduzido. Um caminho escolhido. O abrir dos olhos. A vergonha. O castigo. As conseqüências. Uma família expulsa de um maravilhoso jardim. Adeus árvore da vida. O rompimento entre Deus e o ser humano.

Um irmão assassinado. Uma geração corrompida. Um homem íntegro. Uma arca. Um dilúvio. A espera. A bonança. O rompimento entre ser humano e criação. Uma aliança. Um arco-íris. O novo início com uma família. Uma geração que se multiplica.

Uma única língua. O desejo de alcançar os céus. A busca pela fama. A construção de uma cidade. A confusão e diversidade de línguas. O rompimento entre um ser humano e outro.

A realidade hoje continua sendo a mesma. A sedução. O engano. A mentira. A possibilidade de poder. A escolha indevida. Os projetos pessoais para alcançar o céu. O orgulho que desvirtua. A vontade que corrompe. A desobediência que permanece. O cenário final que assusta.

As histórias mostraram. Os fatos provaram. No que depender de nós, nos afastamos de Deus. Desejos surgem. O egoísmo emerge. A arrogância cega. O coração endurece. O caminho se escurece. Uma realidade de caos e desorientação cresce. Por mais que Deus recomeçasse tudo novamente, trazendo novos julgamentos, ainda assim, não conseguiríamos nos aproximar d’Ele sozinhos. Não conseguimos nos salvar. Nosso coração não permite.

Era necessária a iniciativa de Deus de se aproximar de nós. E Ele se aproximou. Enviou seu único filho. Foi o que não fomos. Fez o que não fizemos. Escolheu o que não escolheríamos. Passou pelo que não agüentaríamos. Sofreu o que não merecia. Assumiu nosso lugar. Foi chamado. Chamado para obedecer. E obedeceu. Obedeceu porque amou.

Diante disso, que reação terei?

E viveu feliz para sempre

A frase é conhecida. Na prática, dificilmente obtida. Em grande parte porque nossa sociedade acredita que felicidade é diretamente proporcional ao salário que ganhamos, aos bens que possuímos, aos recursos que adquirimos, aos títulos que conquistamos. E a tão sonhada felicidade nunca chega plenamente. Mas, afinal de contas, é possível ser feliz para sempre?

Interessante é notar que um homem no primeiro século parece ter encontrado essa felicidade. Ele não tinha casa na praia. Nem mesmo recursos pessoais que o elevavam acima das pessoas que viviam à sua volta. Sua vida também não estava nada segura. Pelo menos não pelos nossos parâmetros atuais. Pelo contrário, ele estava preso. Aguardava sua morte. O sofrimento acompanhava sua vida. E ele foi capaz de escrever que aprendeu a "viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade." (Filipenses 4.12, NVI). Seu nome era Paulo.

Quando lemos a carta escrita por Paulo à comunidade cristã em Filipos, a palavra "alegria" surpreende-nos diversas vezes. Esta alegria não era pela sua última viagem de férias ou por uma promoção no trabalho. Sua alegria, prazer e felicidade estavam naquilo que Jesus Cristo fez por ele, assumindo o preço do pecado na cruz e vencendo a morte. Paulo não contemplava as circunstâncias, mas firmava-se na eternidade. Não se fundamentava no que os olhos viam, mas na certeza do Deus que agia e se manifestava na vida daquela comunidade de cristãos filipenses.

Paulo não tinha liberdade, mas era livre. Para ele, viver era Cristo e o morrer era lucro (Filipenses 1.21). Ninguém poderia tirar a sua felicidade. Ele encontrou paz e descanso. Obteve contentamento e gratidão. Alcançou prazer e alegria. Ganhou tudo isso no amor de Deus, o qual o aceitou apesar de suas limitações e lhe deu uma razão de existir maior do que tudo o que há no mundo. Ter Jesus Cristo foi suficiente. Assim, pôde ser feliz para sempre. E você também pode.

Que o galo não cante em 2011

Lendo o capítulo 14 do evangelho de Marcos nesta última segunda, percebi algo na vida de Pedro que pode acontecer comigo também. E, quem sabe, talvez com você.

Há quatro fatos na narrativa de Marcos sobre a vida de Pedro. Conto em poucas frases e numa rápida e simples forma poética pra vocês. Aconteceu nesta ordem:

Cena I: Fala o que não faz (v.27-31)
Jesus fala que todos discípulos o abandonarão.
Pedro diz que ele não.
Jesus diz que Pedro três vezes o negará.
Pedro diz que se for necessário,
por Jesus, ele até mesmo morrerá.
Pedro fala e não faz.

Cena II: Dorme ao invés de orar (v.32-42)
Jesus está no Getsemani e
chama Pedro, Tiago e João para orar.
Jesus se afasta e fala para
os três não deixarem de vigiar.
Ao invés disso, todos dormem.
Três vezes, Jesus fala para acordarem.
Mas não adianta. Pedro, como os demais, dorme ao invés de orar.

Cena III: Foge ao invés de ficar (v.43.51)
Jesus é preso. Pedro reage.
Um soldado é ferido. Jesus reage.
Fala não a espada e sim ao amor.
Mostra mais uma vez que é Ele quem leva toda dor.
Pedro foge ao invés de ficar.

Cena IV: Faz o que não fala (v.52-72)
A ceia passou. Jesus preso ficou.
Surgem acusações de Pedro ser um seguidor.
Três vezes nega Jesus e, então, o galo cantou.
Pedro faz o oposto do que falou.

Olho para Pedro e vejo eu. Talvez você também se identifique.
Afinal de contas, quantas vezes não agimos assim?
I. Falamos e não fazemos.
2. Dormimos e não oramos.
3. Fugimos e não ficamos.
4. Fazemos o que não falamos.

Neste início de ano, convido você a caminhar na direção daquilo que eu também desejo para mim neste ano:
1. Fazer aquilo que estou falando e me comprometendo neste início de 2011.
2. Orar mais e "dormir" menos em minha jornada de vida.
3. Permanecer com Deus e não fugir, mesmo quando tudo parecer contrário.
4. Ser coerente, de modo que aquilo que falo esteja conectado com aquilo que faço.
5. Não me esquecer que Jesus é aquele que faz o que fala, ora e não dorme, fica e não foge. Ele é o que sou incapaz de ser. E, porque Ele é tudo isso, posso continuar minha jornada de vida a partir de quem Ele é. Este é o passo principal para que eu consiga crescer nos quatro anteriores. E que assim o galo não cante em 2011.

Espero que possa ajudar você neste ano!
Um ótimo 2011! 

O que quero ganhar neste Natal...

"O que quero neste Natal?
Mais do amor de Deus a me fortalecer
e capacitar a fim de que seja mais
comprometido com Ele e com sua causa."

"What do I want this Christmas?
The love of God giving me strength
and supporting me in my commitment
to Him and His cause."

(Daniel Faria Jr.)

Mundo & Conexão

A base de nossas conexões é Deus que, por natureza, é uma comunidade em si mesmo. Ele é a origem comunitária. O núcleo de nossas conexões é a família, na qual potencializamos nossas mais intensas e profundas conexões. A extensão de nossas conexões é a comunidade cristã, uma família de famílias, ambiente no qual ampliamos e fortalecemos nossas relações interpessoais. E, aqui, chegamos ao último aspecto essencial em nossas relações: a missão presente em nossas conexões.


Deus concede-nos dois contextos como parte fundamental de nossas conexões interpessoais: a família e a comunidade cristã. A primeira é particular, enquanto a segunda é pública. Nas duas, contemplamos o princípio trinitário que deve mover nossas conexões. De modos diferentes, contribuem para nosso alicerce relacional. Revelam mais sobre nós e Deus. Contribuem para entendermos mais sobre quem é Deus e quem somos nós. No entanto, não devem existir para si mesmas. Antes, elas são o início de uma missão que se volta para fora: sermos representantes trinitários no mundo.

Fomos criados para conexão. Porém, muitos estão desconectados. Vivem na solidão de suas profissões, no isolamento de seus projetos, no deserto de suas experiências, na decepção de suas relações superficiais. Carecem de pessoas. Precisam se conectar. E não sabem como encontrar a plenitude relacional. Talvez você seja um deles.

No entanto, à medida que compreendemos e experimentamos mais de perto esse Deus comunitário, nossas conexões gradativamente adquirem nova dimensão. A família recebe nosso sentido. A comunidade cristã ganha nova perspectiva. O mundo é contemplado com novos olhos. Somos convidados ao deleite dessa nova dimensão comunitária. Somos encorajados a proclamar essa mensagem relacional a outros. É a via para harmonia. É o chamado comunitário que recebemos.

Ouça o Deus Pai que nos revela o valor de palavras como soberania, poder, glória, honra, majestade, dignidade, respeito, reverência e obediência. Aprenda com Jesus Cristo, o Filho de Deus, que nos manifesta as lições de vida sobre amor, perdão, empatia, sensibilidade, aceitação, inclusão, convivência e descanso. Encontre forças no Espírito Santo que nos ensina a importância do serviço, capacitação, encorajamento, habilidades, trabalho, ação e responsabilidade.

Lembre-se que a forma como nos conectamos com Deus influencia o modo como nos conectamos com as pessoas. Compreendendo a profundidade do que significa ter Deus como Deus, poderemos construir novas famílias, novas comunidades cristãs, novas cidades e um novo mundo. Um sonho? Uma impossibilidade? Que tal tentar?

Comunidade & Conexão

Deus - Pai, Jesus e Espírito Santo - deseja ter um relacionamento íntimo com cada um de nós. A Sociedade Perfeita anseia por nos ensinar sobre relacionamento e amor. Além disso, para compreendermos o que é relacionamento e amor, Deus nos concede a família, assim como ele, Deus, é uma família.

Se não bastasse, Deus fez mais por nós. Conexão é tão inerente à sua pessoa que ele nos concedeu mais do que uma família. Presenteou-nos com uma família de famílias. Concedeu-nos uma família para sem famílias. Somos agraciados com a oportunidade de viver em uma comunidade cristã.


É fato: quanto maior a família, mais complexa ela é. No entanto, o princípio é o mesmo. Nela, temos muitas pessoas que devem aprender a ser apenas uma. Ao mesmo tempo, são uma única família de muitos. Muitos que são um. Um que são muitos. Iguais, mas diferentes. Diferentes, mas iguais.

Logo, assim como a família é o núcleo de nossas conexões, a comunidade cristã é a extensão de nossas conexões. Se na família temos o cultivo da “minha trindade”, na comunidade cristã temos a possibilidade da “nossa trindade”.

Nela, somos encorajados e encorajamos. Somos fortalecidos e fortalecemos. Somos confrontados e confrontamos. Convivemos com pessoas que erram e falham, enquanto nós também erramos e falhamos. Perdoamos e somos perdoados. Encontramos apoio e apoiamos. Crescemos e possibilitamos o crescimento de outros. E, assim, construímos algo que seríamos incapazes de construir numa espiritualidade individual.

Certamente, a teoria é magnífica. A prática, porém, desafiadora. Como qualquer relacionamento, não será fácil. Interagir com pessoas não é tão simples. Teremos que lidar com decepções. Não poderemos evitar as frustrações. Onde há pessoas, a imperfeição não se ausenta. Onde está o ser humano, as deformidades estão presentes. E talvez seja por isso que nós ouvimos a respeito de muitas pessoas que desistiram da igreja. Pode ser que você seja uma delas.

Porém, apesar do grande desafio, temos a Suprema Referência. A proposta comunitária deve se enraizar em sua fonte. A comunidade cristã é uma família de famílias que possui um líder, uma cabeça. Este é Jesus. Foi quem mostrou o que é o amor. Redefiniu o que é entrega. Redimensionou o significado de doação. É o exemplo de serviço. É a evidência do perdão. Como tal, é de quem devemos partir. Ele é a mente desse corpo. É o seu regente. É o seu orientador e guia.

Nosso papel é seguirmos sua direção. É contemplarmos sua prática. E mais: possuímos um diferencial. Não estamos sós nesta construção comunitária. Deus nos concedeu seu Espírito Santo. É aquele que nos consola, conforta e ampara. É aquele que nos leva além de nossas forças. É quem nos capacita em nossas conexões.

Desfrute dessa oportunidade de se conectar. Não é necessário que você caminhe sozinho. Nem que prossiga sem pessoas. Abrigue-se. Refugie-se. Conecte-se.

Família & Conexão


O cristianismo é a soberana proposta de vida que convida a humanidade a uma espiritualidade comunitária. Não é um caminho solitário, mas solidário. Não acontece apenas no contexto individual de nosso quarto, mas na convivência social de nosso mundo. É na diversidade que cresce. É no contexto público em que é encorajado.

Nesta espiritualidade comunitária a qual somos chamados, temos um núcleo. É o local criado para ser o quartel-general de nossos relacionamentos. É o lugar essencial para construção de nossos fundamentos para vida. Nele, somos criados. Nele, somos informados. Nele, somos educados. Nele, somos formados. Este núcleo interpessoal é a família.

O próprio princípio bíblico passa pela família. Pelo menos seis situações históricas revelam isso. Na Criação, o começo de tudo envolve a família. Diante da tantas coisas boas, não era bom que Adão ficasse só. Assim, vemos o homem Adão e a mulher Eva, criada do próprio corpo dele. Surge a primeira família. Após a destruição do dilúvio, presenciamos o recomeço com Noé e sua família. Ao ser chamado para uma nova terra, contemplamos o início de uma nova jornada para Abraão e sua família. Jesus, o qual poderia vir até nós das mais diferentes formas, veio no contexto da família. Ele mesmo formou uma nova família e retornará para se reunir com sua grande família. Logo, família não existe por mero acaso.

Indo além, a família é a representação visível de Deus. Na família, vemos o princípio trinitário. Homem que se torna um com sua mulher. Mulher que se torna um com o homem. E, assim, dois tornam-se um. Dois que são um. Um que são dois. Então, pai e mãe geram filhos. Mesmo sangue. Mesma genética. Filhos que são parte de seus pais. Logo, ali no núcleo de nossas conexões, vemos três entidades – pai, mãe e filho – que são apenas uma única entidade. Um que são três. Três que são um. Iguais, mas diferentes. Diferentes, mas iguais.

É como se Deus estivesse nos dizendo: “Você deseja compreender mais sobre quem eu sou? Envolva-se com a família. Você quer entender e desfrutar da plenitude de minha natureza? Eu concedo um presente a você: a família”. Assim, a família torna-se a “nossa trindade”, criada por Deus e a ser cultivada por nós sob influência dele.

Portanto, Deus convida-nos a aprendermos com sua própria identidade. Assim como é um ser relacional, também nos criou como seres relacionais. Somos à sua imagem. Somos à sua semelhança. De mesmo modo em que Deus é uma família, colocou-nos em uma família. Local de refúgio. Lugar de abrigo. Nossa fortaleza de conexões. A harmonia presente no próprio Deus é referência para nutrirmos essa mesma harmonia em nossos lares. Seja um instrumento de mudança em sua família. Faça dela o núcleo de suas relações.

Uma história sobre conexão

Jesus é o Herói dos heróis. É o herói como nenhum outro. Foi o que ninguém foi. Falou o que ninguém falou. Fez o que ninguém seria capaz de fazer. Tinha todos os poderes, mas abriu mão de todos eles e exerceu amor. Não buscou um reinado sobre a humanidade que lhe traria exaltação, mas optou por ser abandonado em uma cruz que o conduziu à morte em humilhação. E tudo isso com um exclusivo propósito: a restauração da nossa conexão com Deus.

Ao longo de toda sua vida, estava conectado com Deus. Em seu nascimento, sua conexão com Deus foi revelada. Em seu batismo, sua conexão com Deus foi declarada. Em sua vida e morte, sua conexão com Deus foi comprovada.

Jesus está no contexto comunitário. O cristianismo é a única proposta de vida que se origina em uma espiritualidade comunitária e que, ao mesmo tempo, é singular. Não são três deuses. Mas apenas um Deus único. Porém, ao mesmo tempo, é três. Deus Pai, Jesus e Espírito Santo. Ele é a representação de uma matemática espiritual diferente. É o exemplo de uma gramática celestial transcendente.

Compreender plenamente sua identidade é almejar uma tarefa impossível. Seria limitar aquele que é infinito, Porém, é possível crescer em nossa compreensão. Uma figura que nos auxilia é a ilustração da água. Assim como os três estados – sólido, líquido e gasoso – apresentam apenas a água, assim é Deus – Pai, Jesus e Espírito – que é somente Deus. Possui funções diferentes, mas é um. Um em três. Três em um. Diferentes, mas iguais. Iguais, mas diferentes.

Logo, Deus é relacional. Conexão faz parte de sua natureza. Relacionamento é algo que constitui seu ser. Ele é o exemplo supremo de todas as conexões. É o fundamento para todas as relações. E ele nos chama para nos conectarmos com sua pessoa. Deus deseja se aproximar de nós. Quer ter intimidade conosco. Anseia por nos ensinar sobre convivência. Sabe tudo sobre relacionamento e deseja se relacionar comigo e com você.

Uma história sobre mudanças¹

Jesus tem tudo a ver com mudança. Nada em Jesus é arcaico. Nada é ultrapassado. Nada é conformativo. Pelo contrário. Falar de Jesus é referir-se ao novo. Descrever Jesus é contemplar o inédito. Refletir na identidade de Jesus é presenciar o lançamento de um novo estilo de vida.

A história de Jesus é a marca da mudança. Seu nascimento significa mudança. Sua jornada é a ilustração da mudança. Sua cruz, o caminho da mudança. Sua morte, o preço da mudança. Sua ressurreição, a conclusão da mudança.

Jesus é o maior promotor de mudanças. Da morte para a vida. Do inferno para o céu. Do ego para o sacrifício. Da rejeição para a aceitação. Da doença para a cura. Da vingança para o perdão. De tomar para dar. Da dureza para a mansidão. Do medo para a segurança. Das dúvidas para a certeza. De um passado de desespero a um futuro de esperança. Do caos para a ordem. Da destruição para a salvação. Da frieza para o amor. Em Jesus, tudo convergiu. Nele, a história iniciou seu ajuste pleno e definitivo.

Tudo se degenera com o tempo e passa pela mudança. Nossa vida tem tudo a ver com mudança. Nascemos, crescemos, desenvolvemos e morremos. E a pior coisa é resistir à mudança. Nossa mente precisa de mudança. Nosso coração carece de mudança. Nossas atitudes necessitam de mudança. Nossas famílias clamam por mudanças. Nossos relacionamentos almejam a mudança. Nossas profissões desejam encontrar razão de ser passando pelo contexto de mudanças. Existimos para conduzir pessoas à mudança.

No entanto, Jesus não traz a mudança apenas pela mudança. Antes, envolve a mudança com propósito. É a mudança sob a luz da sabedoria. É a mudança em temor a Deus. É a mudança para glória de Deus. Ele fez o que jamais faríamos. Realizou o que jamais conseguiríamos. Sua cruz rompe com a separação entre o terreno e o celestial. Traz dignidade aos indignos. Restaura o quebrado. Consola o aflito.

Somos convidados a uma nova história de esperança. É um convite à maior de todas as mudanças. Um convite a uma nova vida com Jesus. Sua história em nossa história. Que tal mudar?

¹Escrevi este artigo após uma palestra de Bill Lawrence sobre mudança que me impactou significativamente.

Perdas

Perdas. Aí está uma palavra que todos nós gostaríamos de evitar. Ano passado, eu e minha esposa perdemos algo que era valioso para nós. Fizemos uma viagem de carro de Campinas/SP até Natal/RN, após viajar, também de carro, até Foz do Iguaçu/PR. Imagine a aventura. Foi uma viagem inesquecível. Conhecemos inúmeros lugares, dezenas de praias e cidades, além das diversas atrações. O resultado final da viagem, depois de 30 dias nas estradas do Brasil, foi o descanso que precisávamos e mais de 1700 fotos de paisagens incríveis que conhecemos e contemplamos.

Mas onde está a perda? Ela veio semanas depois. Numa questão de dias, meu laptop pifou e o pendrive, no qual tinha backup das fotos, simplesmente desapareceu. Perdemos todas as fotos das férias que foram mais significativas em nossa vida como casal. Tínhamos registrado dias incríveis e lugares paradisíacos. Agora, resta-nos as memórias do que vivemos e vimos naquele mês. Memórias que parecem cada vez mais distantes. Memórias que parecem se apagar a cada dia, caindo no esquecimento. Ainda estou tentando recuperar o hd do laptop, sem sucesso até aqui, e confesso que as esperanças parecem cada vez menores.

Isso pode não ter significado algum para você. Aliás, muitas das perdas que passamos são assim: grande significado para nós, mas de pouca relevância para os outros. Perdas geralmente são inesperadas. Repentinas. Elas nos pegam de surpresa. Não são planejadas. Não estão em nossa agenda. Algumas delas são importantes; outras, indiferentes. Mas certamente nos acompanham ao longo da vida. Perdemos coisas. Perdemos bens. Perdemos tempo. Com os anos, perdemos saúde. Perdemos oportunidades. Perdemos pessoas.

Recentemente, esta última perda tem marcado nossa comunidade: pessoas. Pessoas queridas. Pessoas especiais. Pessoas que nos ensinaram. Pessoas que deixaram saudades. Pessoas que ainda falam em nossos corações. E, quando elas se vão, parecem que parte de nós também se foi. Algumas eu conheci mais de perto; outras, nem tanto. Uma dessas perdas recentes foi a Isis. Não a conheci muito. Mas, do pouco que conheci, cresci. Conheci Isis através dos seus filhos. Conheci Isis através do testemunho de seu marido. Uma esposa que deixou um marido grato e feliz por cada momento vivido juntos. Uma mãe que deixou todos os filhos dedicados a Deus e compromissados com o evangelho. Uma serva de Deus que combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé. O seu ofício fúnebre foi um dos mais marcantes para mim até hoje. Por quê? Porque me ensinou sobre o que é mais importante. Sobre o lugar de Deus. Sobre o valor da família. Sobre a perspectiva eterna da vida. Sobre o que é viver para glória do Senhor. E para você? Quais são as perdas que alcançam sua vida atualmente?

Se há algo na vida que temos que lidar, querendo ou não, é a realidade das perdas. Se você pegar uma foto com todas pessoas de sua casa, você chegará a uma constatação. Alguém nessa foto verá todos os demais o deixando para trás. A perda é parte da vida. E o que fará diferença não será quando ou quais serão as perdas, mas como passaremos por elas. Perdas revelam nossos medos. Perdas apontam nossas limitações. Perdas trazem à luz o que está em nosso coração.

Gosto de uma frase que tem me ajudado em minha jornada de vida. É a frase de Jim Elliot, um missionário que morreu tentando levar a mensagem do amor de Jesus Cristo. Ele disse: “Não é tolo aquele que dá o que não pode manter, para ganhar o que não pode perder”. Não é tolo aquele que dá o que não pode manter: a própria vida. Para ganhar o que não pode perder: a vida eterna.

Quando perdemos nossa vida, nós a ganhamos. Quando nos damos pelos outros, somos presenteados. O século XXI tem tirado isso de nós. Proclama o individualismo como algo maior que o comunitário. Fala do prazer a qualquer custo vindo à frente do preço de considerar o outro. Valoriza a conquista pessoal como algo maior que o possível mal gerado ao que estão ao redor de nós. Minha pergunta é se realmente acreditamos que esse caminho nos levará a algum lugar digno de se viver no futuro. Ou melhor, no presente.

A forma como lidamos com a perda manifesta as bases de nossa vida. E o desafio é aprender a lidar com as perdas a partir da perspectiva correta. Como? Olhando para alguém que deixou o exemplo. Alguém que anteviu para onde iríamos. Alguém que viu o que perderíamos. Alguém que nos amou. Alguém que nos presenteou. Ele perdeu sua vida, para que ganhássemos a nossa. Foi desfeito por nós para que o mundo pudesse ser refeito por ele. Entrou no mais profundo vale sombrio, a fim de que nós pudéssemos desfrutar de sua luz resplandecente. Assumiu o preço de uma dívida impagável que lhe custou tudo, a fim de que nós recebêssemos um presente inagualável pelo qual nada nos é exigido. Quem foi essa pessoa? Jesus. Ele sabe tudo sobre perder.

Paulo entendeu essa mensagem. Paulo viveu essa mensagem. Ele mesmo disse isso quando estava na prisão, em meio às suas perdas: “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1.21). Pensando assim, não poderia perder nada do que lhe era essencial. De um lado ou de outro, conheceria agora apenas o que era ganhar mesmo quando envolvido por perdas.

As perdas nos acompanham. E a escolha é nossa de como lidaremos com elas. Que a nossa decisão possa ser pelo caminho da sabedoria, considerando nossa jornada e vendo o Deus que sabe tudo sobre perda e que está ao nosso lado. Você não está sozinho nessa. Aprenda a perder para que você possa ganhar o que é o mais importante.

“Quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma?”
Marcos 8.35-36

John M. Sydenstricker Jr.

Uma vida, uma história, muitas lições...

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”
2 Timóteo 4.7-8

Palavras geralmente são complicadas, pois, ao mesmo tempo em que descrevem, também limitam. Descrevem o que há dentro de nós, mas limitam a extensão de seu significado. Descrevem memórias, mas limitam seu impacto em nossas vidas. Descrevem lembranças, mas limitam o quão importantes são. John foi uma dessas pessoas em que as palavras podem descrever lembranças da convivência com ele, mas que limitam o profundo significado que tiveram.

Se você conheceu John, você conheceu um homem de Deus. E, ao conviver com ele nos poucos anos que tivemos juntos, algumas palavras características de sua vida marcaram e continuam a marcar minha vida.

A primeira delas é simplicidade. Em tudo o que fazia, parecia ter um modo simples de encarar o que lhe cercava. Falava o necessário. As palavras que saíam de sua boca pareciam ter um significado especial. Lembro-me de um encontro comunitário que tivemos em que ele fez uma simples oração, mas que conhecendo sua dor e sofrimento ao lidar com o câncer, sabíamos o quanto significava: “Deus, obrigado por mais um dia de vida”. Poucas palavras, mas tão intensas. Tão profundas. Tão vivas.

Ligada a esta palavra, outra o acompanhava: humildade. John sabia que era falho. Sabia que era pequeno. E cada vez que falava e apontava isso, em meu coração ele se tornava maior. Por quê? Porque dependia de Deus. Não queria glória, mérito, honra, reconhecimento ou status. Tudo aquilo que o mundo busca parecia não importar para John. A consciência de quem era e do quanto precisava de Deus o fazia ainda mais especial e singular. Pouco antes de morrer, resistiu até onde pôde para receber o titulo de presbítero emérito. Ele não se importava com títulos. Ou melhor, parecia querer distância deles. E isso porque queria o que o céu lhe reservava e não o que mundo lhe oferecia.

A terceira palavra é acolhimento. No que podia, era atencioso e receptivo. Foi a primeira pessoa que me recebeu antes de chegar à comunidade em Barão Geraldo. Juntamente com sua esposa Renée, foi a primeira pessoa que acolheu minha esposa e eu em sua casa. Caminhava conosco. Mandava emails. Ligava. Preocupava-se. Em suas críticas e sugestões, fazia com grande amor. Recordo-me dos diversos almoços em que fazia questão de pagar e não permitia de jeito nenhum que eu tomasse qualquer iniciativa. E ficava bravo se eu o fazia. Se você o conheceu, sabe do que estou falando. Queria visitar pessoas, mesmo sendo ele alguém que precisava de visita. Se havia doentes, queria estar com eles, mesmo quando seu quadro era pior que muitos destes que visitava.

E isso me leva a mais uma palavra: vitalidade. John era mais vivo do que muitos de nós que temos mais saúde. Fazia muito mais para obra de Deus do que muitos que estão sãos fisicamente. Eu olhava para John e a palavra energia me vinha a mente. Ele me motivava a dar mais de minha vida para Deus. E ainda me motiva. Lembro-me de certa vez em que combinávamos de ir ao Centro Médico visitar um grande amigo seu, doente, e ele tentou até onde pôde estar presente lá, mas a sua saúde não o permitiu naquele sábado. Procurou superar seus limites, ajudando pessoas. Dedicou-se em prol de outras vidas.

Dentro disso, uma última palavra o acompanhava: missão. Parecia que em toda conversa que tínhamos, John estava voltado para alcançar pessoas. Preocupava-se com as almas perdidas. Ansiava por pessoas afastadas de Deus retornando para a comunidade cristã. Pensava em projetos para fazer isso. Quando partilhei com ele um dos meus sonhos, na mesma semana ele me ligou após verificar alguns passos sobre como seria possível concretizá-lo. Se era algo que envolvia almas perdidas, queria ajudar como podia.

Uma vida, uma história, muitas lições. Muitas palavras de grande valor que marcaram sua vida. E a de todos aqueles que conviveram com ele. Talvez você tenha outras palavras a acrescentar. Para mim, foram apenas três anos e alguns meses. Mas John me marcou mais do que muitas pessoas que convivi muito mais tempo. Talvez o mesmo tenha acontecido com você. Um exemplo numa geração egoísta e sem compromisso sério com Deus. Certamente, deixará saudades.

Que as lições vistas em John possam ser levadas por cada um de nós. Enquanto eles estiverem vivas em nossa mente e coração, sua vida continuará viva dentro de nós e honraremos o que ele nos ensinou, dando toda glória ao nosso Senhor Jesus Cristo por isso. Agora, ele está junto do Pai. Sem câncer. Sem dor. Sem sofrimento. Na glória do Todo-Poderoso. Não é o fim. Apenas o começo...

Escolhas que formam um caminho...

Sendo parte da classe média ou não,
uma letra certamente para refletirmos
sobre nossas escolhas e o caminho que traçamos...

Classe Média
Composição: Max Gonzaga


Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual

Mas eu “to nem ai” se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui” se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal

Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida...

Letras perdidas

Você possivelmente já brincou de “jogo da forca”. Letras devem ser escolhidas. Uma palavra deve ser descoberta. A cada letra errada, mais próximo você estará de ser enforcado. Figuradamente, é claro.

Infelizmente, hoje, é fato que o princípio do jogo é aplicável à vida: para cada letra errada, mais próximos estamos da morte. Dia após dia, escolhemos as letras que escrevem palavras no livro de nossa vida. E as marcas, em muito, tem nos levado a caminhos de morte.

São letras que deixam marcas negativas. Letras que difamam. Letras que humilham. Letras que ocultam. Letras que machucam. Letras que falsificam. Letras que desordenam. Letras que desorientam. Letras que ferem. Letras que matam.

Essas letras formam palavras. Palavras como insensibilidade. Frieza. Ódio. Rancor. Maldade. Falsidade. Egoísmo. Palavras que descartam pessoas. Palavras que causam dores ao cônjuge. Palavras que levam sofrimentos aos filhos. Palavras que destróem famílias. Palavras que desenterram o passado. Palavras que condenam o presente. Palavras que limitam o futuro. Palavras que abortam relacionamentos. Letras que levam à morte. Palavras que levam à morte.

Temos escolhido as letras erradas. É necessário resgatar as letras perdidas. Letras que renovem a esperança. Letras que revigorem a alma. Letras que unam casais. Letras que ensinem os filhos. Letras que restaurem a família. Letras que aprofundem amizades. Letras que sensibilizem pessoas. Letras que toquem na vida da cidade. Letras que construam um futuro melhor. Letras perdidas que precisam ser achadas...

Letras perdidas... Quais letras? A, M, O, R. Letras que formam a palavra AMOR. Essa é a palavra a ser descoberta no jogo da forca da nossa vida. Que tal ter 2009 marcado de uma forma diferente? Talvez o final do jogo possa ser outro...

Enquanto não vem o Rei...

Eu sei. Falar de rei no Brasil não parece ter sentido. Aí está uma palavra distante de nós, que nada nos traz à memória, a não ser um rei específico. Aquele, você sabe. Sabe sim. Pense um pouco. Se falamos de Brasil e rei, um nome vem à nossa mente. Lembrou? É! Esse mesmo! O “rei” Pelé.

Concordo com você que ele não tem muito a nos ensinar sobre uma reforma nacional, ou um governo que marcou nosso país politica e economicamente. Mas, para seu governo, ele não apenas governou nos campos de futebol, como também reinou como nenhum outro. Como rei, dominou. Como rei, fez atletas se curvarem. Como rei, levantou torcidas. Como rei, silenciou multidões. Como rei, conquistou corações. Como rei, fez da bola sua coroa. Sua glória foi como a de nenhum outro jogador de futebol. Foi um herói. Esse é o nosso rei Pelé! Mas, além dele, nenhum outro rei temos em nosso belo país...

No entanto, existe outro rei. Um rei que não apenas dominou, mas que domina. Um rei que não apenas silenciou multidões, mas que silenciou os céus e a terra. Um rei que reinou, reina e reinará. Sua majestade e riqueza são incomparáveis. Sua glória e poder, indescritíveis. Suas conquistas, inatingíveis. Foi o rei que se tornou herói. O verdadeiro Herói. O Rei. E você sabe quem ele é: Jesus!

Mas surge um impasse. Pois, é verdade... Ele se ausentou por uns tempos. E o que faremos enquanto Ele, o Rei, não vem?

Antes de se ausentar, porém, três das suas últimas palavras foram “sereis minhas testemunhas” (Atos 1.8). Não foi um imperativo. Foi uma constatação. Aquele que o tem como Rei, é sua testemunha. O significado de testemunha envolve o atestar e confirmar quem Ele é. Em outras palavras, envolve uma declaração – através de nossa mente e coração, de conhecimento e experiência – que Jesus é o Rei dos reis. Envolve falar e viver de modo a revelar Seu reinado em nós. Todavia, é esse o nosso testemunho?

O problema é que o Rei foi deixado de lado. O Rei dos reis tornou-se um rei de sobras. Sobra de nosso tempo. Sobra de nossas habilidades. Sobra do que temos. Sobra do que fazemos. Sobra do que somos. O que sobra disso?

O Rei dos reis tem se tornado um passatempo. Afinal, muitos o vêem como “um rei carente que precisa de nossa atenção”. Ou talvez possa ser um mero assessor para casos emergenciais. A voz do Rei chega aos nossos ouvidos como mera sugestão. A missão do Rei nos alcança como mera opção. Assim como Israel, na época dos juízes, assemelhamo-nos àquele povo: “não havia rei em Israel e cada um fazia o que achava mais reto” (Juízes 17.6 e 21.25). E, assim, tornamo-nos um povo sem rei. E acabamos por colocar a coroa sobre nossa cabeça.

Enquanto houver muito de nós e pouco de Deus, nada teremos. Não seremos suas testemunhas. Nossa vida não confirmará e nem mostrará o Rei que Ele é. Enquanto houver temor aos homens no lugar do temor de Deus, proveito algum haverá. Enquanto houver frieza, o amor do Rei não se revelará. Enquanto houver indiferença, não faremos diferença.

Nossa agenda revela nosso rei. Nossas escolhas revelam nosso rei. Nossos compromissos e prioridades revelam nosso rei. E quem é esse rei?

Enquanto contarmos com o poder que existe em nós, alcançaremos tudo aquilo que está dentro de nossas limitações. Quando contarmos com o poder de Deus, alcançaremos tudo aquilo que está dentro da infinitude celestial. E as vitórias serão para o Rei.

E, então... Enquanto o Rei não vem, quem será seu rei?

Neste Natal, olhe para o Rei Jesus. O Rei que veio em toda glória no mais simples lugar. O maior de todos os reis que nasceu não em berço de ouro, mas em berço improvisado. Que este Natal não seja um mero momento de festas e descanso com a família para você, mas a celebração da maior festa que concede a você uma nova família que o inclui, o aceita e o ama. A família do Rei Jesus.

Eu sou ou EU SOU?

Existe alguém que está conosco e nos responde...

"Antes que Abraão existisse, EU SOU"
(palavras de Jesus em João 8.58)
Quem é que me fortalece nas angústias e dores da alma? EU SOU.
Quem é que me ajuda quando minhas energias se esvaem? EU SOU.
Quem é que me guia nos desafios em meu casamento? EU SOU.
Quem é que me direciona na educação de meus filhos? EU SOU.
Quem é que provê sustento financeiro? EU SOU.
Quem é que tem tudo sob seu controle? EU SOU.
Quem é que garante que o bem vencerá o mal? EU SOU.
Se eu não posso fazer, quem pode? EU SOU.
Quem pode descobrir o que devo fazer? EU SOU.
Como vou sair dessa? EU SOU.
Ninguém está me dando boa direção. EU SOU.
Eu me sinto só. EU SOU.
Pequei. EU SOU.
Estou com medo. EU SOU.
Ninguém me ama. EU SOU.
Ninguém me aceita. EU SOU.
Ninguém me inclui. EU SOU.
Não estou dando o suficiente? EU SOU.
Não sei para onde ir. EU SOU.
Não sei se o pessoal está jogando no mesmo time que eu. EU SOU.
Parece que tudo vai desabar. EU SOU.
Alguém está me ouvindo? EU SOU.
E se eu errar de novo? EU SOU.
Quem é minha saída? EU SOU.
Quem é minha esperança? EU SOU.
Quem é meu refúgio? EU SOU.
Quem é minha torre? EU SOU.
Qual a razão de viver? EU SOU.
Qual o sentido de tudo isso? EU SOU.

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida", disse Jesus.
A escolha é de cada um de nós: dizer “Eu sou” ou escutar o EU SOU...
O que farei?


(adaptado a partir de palestra de Jay Bauman)